sexta-feira, 12 de novembro de 2010
ACUPUNTURA: Considerações e reflexões sobre a Tradição e a Terapêutica. PARTE II
domingo, 7 de novembro de 2010
ACUPUNTURA: Considerações e reflexões sobre a Tradição e a Terapêutica. PARTE I
Não é fácil expor, em poucas palavras, a intenção profunda de uma obra como a Acupuntura. É plausível dizer que quase tudo o que se sabe sobre ela começa com lendas muito antigas. Fu Xi e Hwang Ti foram representantes das comunidades de tribos da sociedade primitiva Chinesa há cerca de 4.000 anos atrás. Muito do que conhecemos vem deste tempo, ou talvez de épocas mais remotas ainda. Para se ter uma pequena idéia de como o conhecimento se transmitia nos seus primórdios, há escritos do Imperador Amarelo (2700-2100 aec) preservados em cascos de tartaruga. Após este período novas reflexões foram formuladas e incorporadas à Tradição pelas dinastias Chia, Shang, Tsou, Chin, Han, Sung, Ming entre outras. Consideramos oportuno chamar todo este “capital da elaboração humana” de “Tradição” uma vez que o termo “Filosofia” está mais adequadamente relacionado com a produção intelectual específica da Civilização Helênica. Portanto tratamos neste artigo da Acupuntura segundo a Tradição Chinesa e não de Filosofia Tradicional Chinesa, como vemos amiúde em discursos, conversas e textos na área. Parece ser excesso de preciosismo, contudo é bom notar que nomear esta forma de pensamento de “Filosofia”, não deixa de confirmar a tendência que nós ocidentais temos em optar pelo sincrético e não pelo sintético, o que é muito compreensível. Não desqualificamos nem um nem outro modo de abordagem, mas de certo é bom definirmos nossos termos para manter a coerência quando nos expressamos, neste artigo, de uma ou de outra forma.
Coluna Vertebral: dores, memória e história natural
por Maurici Tadeu Ferreira
A coluna vertebral parece ser o espelho da história do desenvolvimento humano. A postura ereta do homem está relacionada com uma das mais importantes mudanças da evolução de nossa espécie.
Ossos fossilizados e pegadas mostram que a adaptação fundamental do homem ao bipedalismo (andar ereto) se deu na África há aproximadamente quatro milhões de anos. Vestígios dos primitivos hominíneos bípedes, os símios meridionais, foram primeiro descobertos no Transvaal. Porém, a mais antiga e segura prova foi encontrada na região de Afar, na Etiópia.
Desde que estes proto-hominíneos desceram das árvores e iniciaram a exploração das grandes e vastas savanas Africanas, a coluna vertebral vem se ajustando às novas aptidões. Fora das árvores e eretos, os exploradores puderam ter as mãos livres para novas experiências. A “postura” mudou e trouxe consigo novas possibilidades – ou ao contrário - a “possibilidade” mudou e trouxe consigo nova postura?!?
As novas possibilidades que surgiam no horizonte exigiram novas responsabilidades e por certo novas adaptações e este é o código que carregamos ancestralmente até hoje quando usamos novas “posturas” frente aos novos desafios.
O Homo Sapiens moderno, ao nascer, traz sua coluna em forma de “C”, com a concavidade voltada para dentro. Quando o bebê consegue “virar-se” da posição de decúbito dorsal ou supino (barriga para cima) para decúbito ventral ou prono (barriga para baixo), ele assume novas possibilidades, contudo assume novos desafios e responsabilidades. Ele “tem” que estender seu pescoço para enxergar o que há pela frente, garantindo-lhe avançar e não ser sufocado. Mudando a possibilidade, deve adaptar-se e assumir novas posturas. Os graus de liberdade são conseguidos graças à lordose cervical. No processo de engatinhar e sentar, lentamente o bebê delineia a curvatura torácica e ao andar incorpora a lordose lombar (curva do quadril). Juntas, estas três curvaturas estabilizam o desenho fisiológico da coluna. Será que podemos encontrar semelhanças entre o “modelo” de crescimento do bebê e o “modelo” de crescimento da espécie? Podemos afirmar que a ontogenia “copia” a filogenia? Fica aí uma provocação ao leitor.
A postura adequada pressupõe harmonia entre as curvas da coluna com as tensões das cadeias musculares e com nosso “modo de andar a vida” o que naturalmente inclui emoções, expectativas, ansiedades, amores, decepções, trabalho, repouso etc.
A motricidade, que é o movimento carregado de significado, e o tônus humano engendram e ao mesmo tempo produzem impressões e projeções que são registradas e memorizadas em nossos organismos como atitudes, posturas, crenças, valores, desejos, símbolos e ideologias.
Ao deslocar-se de seu centro de referência, a postura inadequada cria memórias difíceis de apagar além de uma série de disfunções e patologias. Seguem-se as dores.
Para minimizá-las surgem grandes ou pequenas alterações como parte ou pacto de um concerto orquestrado de compensações e contenções. Os sintomas são o pranto do corpo, alertando-nos de que já basta. Se não construirmos uma trajetória de atenção e prevenção, estes sintomas vão quebrar-nos exatamente onde mais nos contivemos.
Há disfunções como as escolioses, por exemplo, que em suas manifestações mais graves representam, em última análise, o máximo de compensações que um indivíduo poderia fazer de forma a não sobrar-lhe mais espaços para manobras adicionais. As modificações geram dor e a memória a acompanha como uma sombra, de forma que por detrás de cada desvio há um significado resultante de uma experiência específica. Portanto, a relação de dor, memória e significado.
Maurici Tadeu F. Santos, Fisioterapeuta pela Universidade Federal de São Carlos-SP, Acupunturista pela Associação Brasileira de Acupuntura, mestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo, consultor da Prisma - Projetos Integrados em Saúde e Meio Ambiente, colaborador da Vamus !
sábado, 18 de setembro de 2010
Nosso olhar; nossos olhares.
"...o olho é um lugar de receptação e sobretudo de passagem do princípio vital.Nos olhos, portanto, lê-se diretamente a vitalidade e a presença...
Na vida, nas artes marciais e na clínica, o cruzamento de olhares é uma forma privilegiada do encontro de ser a ser e induz a comunhão das energias vitais.
Esta qualidade do olho, que subentende ao mesmo tempo a radiância do ser e seu poder de penetração, de compreensão das imagens e dos fenômenos tem, em energética, o nome de JING MING".
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Mobilizando o alento interior

"Como um instrumento sonoro, com seu timbre, manifestamos nossa essência quando permitimos e mobilizamos a fluição de nosso alento interior. Como um músico que vibra o seu instrumento, você pode atuar conscientemente sobre seu som, harmonizando seu corpo, abrindo espaços interiores e aplicando a intenção adequada para o tom de cada gesto"
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Mudanças de tempo nas estações e nossa saúde.
Temos percebido, pelo menos aqui em São Paulo, as variações de tempo que ocorrem durante o mês, a semana e até no mesmo dia. Há dias em que de manhã está frio, depois esquenta na hora do almoço, venta por volta das 3 da tarde e depois chove e faz frio.
Reagimos um pouco diferente dos moradores dos países da região norte do planeta pois por lá as estações tendem a ser mais definidas. Agora com as mudanças globais este evento não está tão certo assim.
De maneira que aqui pelos lados tropicais, vivenciamos as quatro estações num só dia!
Concordamos que uma estação possui uma essência, digamos, predominante, não é?
Verão em geral é calor; outono é sêco, primavera tem ventos fortes e no inverno faz frio.
Na sabedoria da acupuntura constumamos dividir as estações junto com suas essências - e - usamos a figura dos 5 elementos. Assim no verão sobressai a essência do calor. O elemento é o fogo, divididos em dois estágios: o primeiro é o imperial que está associado ao meridiano do coração e do intestino delgado. O segundo é o calor ministerial representado pelos meridianos da circulação/sexualidade e triplo aquecedor. No outono o elemento é o metal e a essência é a secura e está ligada aos meridianos do pulmão e intestino grosso. No inverno é a vez do elemento água e a essência do frio e aos meridianos do rim e da bexiga. Já na primavera o elemento é a madeira e a essência é o vento e os meridianos do fígado e da vesícula biliar. Contudo há uma quinta estação chamada Terra que seria uma transição entre cada estação, isto é, ela ocorre antes do verão, antes do outono, antes do inverno e antes da primavera. Portanto concluimos que não temos 3 meses para cada estação. Esta estação intermediária Terra tem como elemento a terra e como essência a umidade e meridianos do baço/pâncreas e estômago.
A acupuntura procura preparar o organismo para a entrada em cada estação no sentido de fortalecer o organismo para os possíveis agravos que a estação venha trazer no sentido de ter suas temperaturas exageradas ou continuamente mudando. No Brasil, em particular, onde as temperaturas, ventos, umidade mudam muitas vezes dentro do mês e do dia como vimos inicialmente, é sugerido que as pessoas possam se preparar para cada estação e com isso prevenir muitas situações como gripes, resfriados, inflamações nos seios da face e na garganta.
Um outro fato interessante na cultura chinesa é que, em geral, todos os exageros que cometemos numa estação surjam como agravos aos nossos organismos na estação subsequente. Se, por exemplo, abusamos muito de líquidos gelados, ar condicionado e ventiladores no verão, será na estação Terra que os sinais e sintomas poderão ser exacerbados trazendo desconforto orgânico.
Até a próxima!
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Pensamentos & reflexões.

Algo que é misterioso e informe existe antes de haver céu e terra. Silencioso, quieto e vazio; pleno em si mesmo, imutável, circulando eternamente através dos espaços e tempos, incansável. É a mãe da miríade de coisas do universo.
Lao Tzu

