segunda-feira, 9 de julho de 2012

Sobre os pés

 


Os pés, pilares que sustentam nossa viagem na Terra:

Não esqueça !

Por esta razão vamos falar um pouco sobre eles hoje.


Portanto mãos à obra; quero dizer; pés à obras!

Os membros inferiores são constituídos pelos pés, pernas e coxas. Estas últimas se articulam com o quadril que sustenta a coluna vertebral. Por isso, acúmulos e sobrecargas "lá em cima" se refletem "cá embaixo".

As derivações ou consequências dos estilos de vida que escolhemos tem mão dupla: uma segue da cabeça para baixo e outra de baixo para cima. Por isto, literalmente, meter os pés pelas cabeças não é uma boa!

Se caminhamos de modo torto, lá se vai nossa cabeça para o outro lado a compensar o desvio.
Se olhamos torto, lá se vão nossos pés a compensar o outro desvio.

Se pensarmos então no peso, vamos perceber que os pés não suportam pouca carga.
Eu, por exemplo, tenho 90 kilos distribuídos igualmente em 45Kg para cada perna.
É um saco de cimento em cima de cada pé! Não é pouca coisa, né?


TENDÃO DE AQUILES, PANTURRILHA E MERIDIANO DA BEXIGA
 

Vamos começar com o tendão de Aquiles. Ele é a ligação dos músculos da panturrilha com a sola dos pés e ajuda na flexão plantar. Tem a ver com o "agarramento" que fazemos à terra para não cairmos. Mas este agarramento pode ser classificado de algumas formas: despretencioso; incauto; autoritário ou teimoso.
Se estamos pouco ligados à conexão com a Terra, nosso tendão é fraco e, neste caso, quando andamos, tanto faz ir mais para cá como mais para lá. Dá na mesma!
Por isso ele pode romper-se em movimentos inesperados. Quando autoritários e teimosos, fixamos os pés com desmedida força e o rompimento pode ocorrer também, por características injustas ao relacionamento com o chão.
Normalmente pessoas que possuem ares de bufão e tomam atitudes em rompante...rompem o tendão ou os desgastam desnecessariamente.
Além disso, como o Tendão tem a ver com o tríceps sural (barriga da perna), este se vê em apuros quando solicitado para subir uma escada, por exemplo. A barriga da perna ou panturrilha é considerada por muitos alternativos como o "segundo coração". Então, para termos um Tendão que suporte uma panturrilha saudável é preciso exercício e disposição mental para atitudes justas e equilibradas, alcançando com exercícios plenos uma boa irrigação, circulação e bom retorno venoso, evitando-se cãibras, dores musculares e varizes.
Uma maneira saudável de cuidar da panturrilha é massagear o meridiano da Bexiga , que passa bem no meio da parte posterior da perna, cruza a fossa poplítea (atrás do joelho) e sobe em direção aos glúteos.
O meridiano da Bexiga está associado ao elemento água, às emoções ligadas ao medo e ao ódio e ao conjunto muscular da parte posterior do corpo.
É o meridiano Yang que protege nosso dorso, em geral, a parte oferecida quando vamos apanhar da vida.  Por isso ter panturrilha justa e tendões de Aquiles fortes significa maior disposição para as infidelidades da vida que causam medo. Se você está em depressão ou ataques de pânico, trabalhe bem este meridiano. Pés bem plantados na terra ajudam na segurança.
Veja abaixo o trajeto deste meridiano:






Figura mostrando o trajeto do m. da Bexiga passando na parte posterior da perna.

Uma terapia muito eficiente é o trabalho com ventosas que realizo no trajeto da Bexiga. Veja a foto abaixo:
 
 

Este tratamento consiste na aplicação de ventosas em tamanhos e pressão controladas. A pressão negativa nos pontos corretos estabiliza a corrente energética do meridiano, fortalece e é também um diagnóstico do meridiano em função da coloração da hiperemia conseguida.



 
 
ARCO E PLANTA DO DO PÉ, MERIDIANO DO RIM

 
A planta dos pé, ao contrário do que dizem, possui apenas um ponto de acupuntura: é ponto R1 ou porta da vida. Seria muito importante entendermos que ele, assim como nosso abdomen, é o centro de gravidade acoplado à Terra. É também um ponto Água, como a Bexiga. Aliás, trabalham juntos: Rim é Yin e Bexiga é Yang. Não é preciso citar a importância de nossos Rins e outras funções correlatas na pressão arterial; limpeza do sangue; filtração de sais e proteinas etc. Portanto, massagem nele. Veja este ponto abaixo:
 



Figura mostrando o ponto R1 do Meridiano do Rim


É importante pisar na Terra para faze-lo feliz. Não se esqueça, pelo menos uma vez por semana.

Se nosso sistema do Meridiano do Rim (que não significa apenas o orgão Rim ou os Rins) está desajustado (insuficiente), nosso arco plantar pode desabar ou diminuir de ângulo - ou se muito energético (em excesso) -  poderá apresentar arco rígido ou com maior ângulo de ataque. Com isso podemos ter, igualmente, sensação de fraqueza e impotência ou valentia exagerada frente às necessidades do dia-a-dia.
A tendência, na fraqueza do arco, é fazermos um outro arco valgo no joelho e com isso o quadril se modifica, modificando igualmente o peso dos membros superiores sobre a coluna vertebral, por consequência alterando nossa disposição e energia sexuais e circulatórias.  Logo surgem problemas no trajeto do nervo isquiático (que é o caminho da Bexiga e do Rim, observe a semelhança), como dores conhecidas como lombalgia ou ciática. Isto pode ter maior dimensão no inverno e, para piorar, se houver quadro estressante associado.

A dica valiosa consite em cuidarmos tanto do trajeto do meridiano do Rim como da Bexiga. Veja o trajeto do Rim abaixo:



Figura mostrando o trajeto do meridiano do Rim até os glúteos


Por hoje é só.
Na próxima mensagem falaremos mais sobre os pés, particularmente a planta, dorso e as massagens e manobras fisioterapêuticas importantes nestas regiões.

Maurici TF Santos


quinta-feira, 14 de junho de 2012

                                        Acupuntura ajuda no estresse?







Sim, sem dúvida.

Aqui apresentamos algumas dicas para reconhecer / enfrentar o estresse:

1. Procure rever suas atitudes e comportamentos. Veja se você anda se peocupando excessivamente por questões que não mereceriam tanta atenção;
2. Se você anda irritadiço, sem paciência e se tomou o trabalhador como uma compulsão para esconder  alguma realidade;
3. Sua experiência sexual não está satisfatória;
4. Faz tempo que não tira férias adequadas;
5. Alimenta-se mal, dorme mal e respira mal;
6. Sente tensão na região da boca, range os dentes; tensão na região do ombro e costas; pernas inquietas;
7. Sente o coração "disparar" de vez em quando;
8. Nota que suas mãos e pés estão suados de vez em quando;
9. Tem procurado ficar mais isolado e sua vida social tem sido evitada;
10. Bebe pouca água ou apenas quando está com sede;
11. Não tem feito exercícios como andar, pedalar, academia, natação etc;
12. Sente sono durante a tarde;
13. Tem aqueles famosos episódios de esquecimento;
14. Sente que seu corpo está "fraco"; fadigado e acha que vai desabar...

Bom, paremos por aí. Já tem bastante coisa errada, não é?

Bom, o que podemos fazer para melhorar?

1. Primeiro reconhecer que está assim!
2. Transformar o ciclo vicioso em ciclo virtuoso; quebrar o ciclo vicioso.
3. Fazer algumas sessões de massagem;
4. Tomar 2 ou 3 litros de água por dia;
5. Evitar comer muita carne vermelha; preferir carnes brancas;...e se possível, com o tempo nenhuma!
6. Evitar fumar e comer muito açúcar branco;
7. Fazer sucos matinais com frutas frescas; evitar muita massa especialmente à noite; (procure um profissional da nutrição)
8. Arrumar um jeito de fazer caminhada (procure um profissional para avaliação)
9. Tente imaginar as situações como "ocasiões" e não como problemas; converse com amigos e parentes sobre o que passa com você;
10. Que tal uma hidroterapia? Uma viagem gostosa para relaxar em um balneário?
11. Evite desgaste desnecessário. Inicie uma mudança em sua vida. Abra seus armários antigos e veja o que há de "quinquilharias" e coisas sem necessidade. Esvazie-o. Procure desvencilhar-se de tantas obrigações que são impostas por você mesmo. Simplifique!
12. Dê uma olhada na energia que você consome resolvendo situações do dia-a-dia. Veja quanta energia você está adquirindo ou tendo que tomar conta. Olhe para o seu consumo. Os seguros, celulares, inferninhos da informática, televisões espalhadas pela casa, automóveis na garagem; necessidades compulsivas de vestuário;
13. Faça uma terapia (procure um profissional da área); aprenda uma dança de salão, uma yoga, uma atividade de respiração, um Tai Chi...
14. Inove: abraçe uma árvore - cante uma música diferente, ouça Bach; encontre alegria em si - você está cheio dela. É só se abrir que ela aparece rapidinho.
15. Faça umas sessões de Acupuntura;
16. Pare de nhenhennhem...pare de reclamar um pouco...de resmungar. Aja! Não se preocupe: se ocupe!
17. Ansiedade e pressa não é igual a velocidade. São coisas distintas;
18. Leia um livro legal. Assista um vídeo legal. Evite ficar enfrente a noticiários televisivos por um tempo;
19. Faça uma lista de coisas gostosas: ir ao teatro, fazer uma viagem curta no final de semana; pisar na terra; plantar uma árvore; ajudar uma instituição com sua solidariedade;
20. Descomprima seu ombro. Não tente carregar o mundo e achar que tudo na sua família é de sua responsabilidade; deixe que eles se virem um pouco; fuja do estereótipo ou arquétipo da "coitada", "sofredora" e que deve pagar pelos pecados do mundo;
21. Reveja seus pontos espirituais. Troque pecado, culpa e um monte de outros pinduricalhos antigos e obsoletos por uma meditação tranquila; agradeça; tenha gratidão pela vida que é tão rara!
22. Não pense que dinheiro é tudo na vida! Há também redes de descanso; praias; momentos de solitude e aquietação em casa; fazer um artesanato; encontrar os amigos e tomar uma cervejinha...contar piadas, usar a imaginação...ser um pouco aquela criança que há dentro de sí. Pinte os sete de vez em quando;
23. Alongue-se; toque um instrumento; faça um Hai Kai, uma poesia...um rabisco...um desenho...

Maurici

terça-feira, 12 de junho de 2012

Nosso olhar; nossos olhares.

"...o olho é um lugar de receptação e sobretudo de passagem do princípio vital.
Nos olhos, portanto, lê-se diretamente a vitalidade e a presença...
Na vida, nas artes marciais e na clínica, o cruzamento de olhares é uma forma privilegiada do encontro de ser a ser e induz a comunhão das energias vitais.
Esta qualidade do olho, que subentende ao mesmo tempo a radiância do ser e seu poder de penetração, de compreensão das imagens e dos fenômenos tem, em energética, o nome de JING MING".



Ref: Eyssalet, Jean-Marc, trad. Gilson Soares. Shen ou o instante criador. Gryphus:Rio de Janeiro, 2003; p.109.

sábado, 9 de junho de 2012

Vamos melhorar a angústia e as dores no pescoço, diminuir a TPM e respirar melhor?

Conseguimos isto aprimorando a respiração!



Então, hoje vamos falar um pouco sobre a respiração abdominal (ou também chamada de "diafragmática")


A idéia é inspirar pelo nariz e expirar pela boca. Sente-se ou deite-se num lugar confortável. Faça a respiração por uns 3 minutos. Não se exceda muito para evitar a hiperventilação. Muito oxigênio pode te deixar com tontura. Faça a respiração 3 vezes ao dia: manhã , tarde e noite.

Quando você inspirar, sinta a sua barriga estufar. No começo é mais difícil, pois você vai perceber que quando você fica desatenta a tendência é contrair os músculos do pescoço, o que chamamos de musculatura apical. Esta funciona bem apenas no final do ciclo respiratório.

Pois bem. Coloque um pequeno peso na sua barriga. Pode ser um livro, por exemplo. Isto ajudará a aumentar propriocepção da barriga e você lembrará que deve subir o livro no momento da inspiração.

Quando você expirar, isto é, jogar o ar para fora, murche a barriga, ou seja, faça o livro "descer". A respiração diafragmática é preferível do que a respiração apical.

Então vejamos: Na inspiração o livro sobre. Na expiração o livro desce. Veja esquema abaixo:


Fácil, não?

Agora vamos entender que estas atividades não são para você aumentar o controle da respiração. É melhor falar em aumentar ou qualificar sua consciência da respiração. Pode ser feito pelos homens também. É melhor consciência do que controle.

Vamos agora acrescentar mais alguns ingredientes nesta respiração. Quando você já tiver praticado a respiração abdominal, podemos melhorar ainda mais o movimento. Faça o seguinte: respiração abdominal 4X4X4X$ (quatro por quatro por quatro)

Inspire em quatro tempos; segure o ar por quatro tempos; solte o ar em quatro tempos; fique sem ar por quatro tempos e inspire por quatro tempos (conte até quatro cada vez). Lembre-se: Inspirar sempre pelo nariz e expirar pela boca. Siga estas dicas e você notará:

*Maior consciência da vida, do ar que você respira, do seu pulmão!
*Dimunição da ansiedade.
*Relaxamento da musculatura do pescoço.
*Diminuição das dores do pescoço.
*Menos frustração, mais alegria e menos angústia.
*Melhoria do sono.
*Equilíbrio geral.
*Diminuição dos resfriados.
*Diminuição das cãimbras.
* Melhora das sensações no período pré e pós menstrual



Até a próxima!

Maurici Junho 2012

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terça-feira, 5 de junho de 2012

Os pólos de nosso corpo:

do Monte Caburaí ao Arroio Chui. 

Da cabeça aos pés!



Existem dois pontos de acupuntura que são extremos. O mais setentrional, ou o mais alto, é o VG20:
o vigésimo ponto do meridiano do Vaso Governador é também conhecido como Mar dos Yangs.
Na sola do pé existe um único ponto: O R1, ou porta da vida. É o primeiro ponto do meridiano do Rim, o mais baixo e meridional do corpo.
Vamos dizer que o VG 20 é o pólo norte e o R1 é o pólo sul.
VG 20 recebe as influências, mensagens e energias do céu e R1 da Terra.
Como eu faço para achar estes pontos em mim?
VG 20 fica na parte mais alta de sua cabeça. Faça o seguinte: com os indicadores encontre os pontos mais altos de suas orelhas. Siga então com os dedos em direção à cabeça. Você vai ver que os dois dedos se encontram no topo. Este é o ponto VG 20.
R1 fica na sola do pé. Dobre a perna esquerda sobre a direita. Com a mão esquerda coloque o indicador atravessando a região do peito do pé seguindo a base dos dedos. Você vai perceber que seu polegar, levado em direção à planta do pé, vai cair exatamente numa pequena depressão. Este é o ponto R1. Em Japonês chama-se Yusen e em Chinês Yongquan.
Interessante que a energia celestial entra por todo nosso corpo, mas é melhor recebida pelo ponto VG 20, meridiano do Vaso Governador que percorre toda a coluna vertebral. Já a energia que vem da Terra, está em nosso alimento e na água, mas precisa também passar pelo R1.
Depois que estas energias entram em nosso organismo, elas vão se encontrar na região da barriga. Lá elas se cumprimentam, conversam, proseiam e depois, junto com o alimento que ingerimos, mais o ar do pulmão e um pouquinho de nossa energia ancestral, vão formar as energias nutridorias (Yong) e protetoras (Wei) que serão então distribuídas por todos os meridianos do corpo.
Por estas duas dicas que concluímos ser importante:
1. Tomar sol na cabeça, principalmente nas primeiras horas da manhã e se possível com as plantas dos pés no chão, na terra, na grama ou na areia.
2. Aproveite e coloque as mãos, uma em cima da outra, sobre a região umbilical. Perceba como as duas energias se dirigem para o centro do seu corpo. Yin e Yang num encontro memorável e libertador.


Que tal uma massagem em cada um destes pontos? O VG 20 você pode fazer com os dedos médio e indicador. O R1 pode ser com uma bolinha de tênis. Enquanto você trabalha no computador, massageie a planta do pé. Faça em um pé só e compare com o outro. Veja, por exemplo, como o alongamento dos músculos da perna massageada aumentou em comparação com a perna que você não fez a massagem!

Esta reedição da matéria é feita em homenagem a todo pessoal competente da Clínica de Podologia, Rua dos Otonis 685 - Vila Clementino (Esquina com a Rua Borges Lagoa).
Fone 50.83.21.55 ou 63.00.00.39.
Se você ama seus pés e sua saúde, então faça uma visita neste centro de Podologia: Garanto e recomendo!
Até a próxima
Dr. Maurici Tadeu
Crefito 16245


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quarta-feira, 9 de maio de 2012






Dicas para o inverno que se aproxima (2012)

Procure alimentar-se bem, com hortaliças e arroz integral. Hortaliças significa o grupo que inclui abobrinha, acelga, beringela, brócolis, couve flor e assim por diante.
Evite, se possível, massas brancas e açúcar branco refinado. Evite massas brancas especialmente à noite.
No seus lugares use massas integrais (durante o dia) e açúcar mascavo ou demerara. Use também mel e melado que contem nutrientes mais sadios.
Recomenda-se parcimônia na ingestão de gorduras e, se o fizer, prefira gorduras poliinsaturadas, presentes nos alimentos de origem vegetal, por exemplo. Se você tiver restrições alimentares procure um profissional da saúde, de preferência um nutricionista.
Nesse começo de outono e indo para o inverno é preciso se agasalhar bem à noite.
Faça um escalda pé com gengibre moído: aqueça água na temperatura de 37 graus e coloque um punhado de gengibre. Depois mergulhe seus pés na bacia e aproveite para inalar o vapor.
Procure caminhar pelo menos 3 vezes por semana. Pise na terra e abrace uma árvore. Elas gostam e faz bem aos dois!
Faça uma massagem relaxante quando puder e visite alguma cidade termal, como Caxambu, por exemplo.
Lá tem um balneário bacana com plátanos maravilhosos e uma série de serviços de massagem, banhos terapêuticos e piscinas com águas direto da fonte, além, é claro, das diversas fontes espalhadas pelo parque. Indico a água Viotti para os rins, que é o orgão relacionado ao inverno e tem como elemento essencial a água. Faça massagens no ponto R1 do Rim, o ponto chamado "porta da vida". Fica na sola do pé. Já mostrei em artigos anteriores como localizá-lo (veja em artigo do dia 10 de Julho de 2010).
Faça alongamentos. Corpo firme, tendões e ossos fortes ajudam a ter uma sangue mais potente que previne doenças e traz saúde e bem estar. Um exercício bacana é o Lian Gong. Se você quiser mais informações sobre esta técnica de exercício, ligue ou mande um email para mim que terei muito prazer em responder.

Vamos em frente.
Semana que vem trago mais algumas dicas sobre Acupuntura e Fisioterapia.

Abraços fraternos
Maurici Tadeu Santos
Fisioterapeuta e formado em Técnicas Orientais (DO-IN e Acupuntura)
Crefito 16245





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domingo, 31 de julho de 2011

Primavera ou o que chamo de "movivento"





A primavera é a estação do vento, portanto sugere movimento, dentro da concepção da Tradição Chinesa e, por conseguinte, da Acupuntura.
A Acupuntura possui cinco elementos básicos que se associam as estações climáticas:
Primavera, Verão, Terra, Outono e Inverno.
A estação Terra é, na verdade, uma sub-estação, pois acontece sempre antes e depois de cada estação. Antes da primavera iniciar, existe a estação Terra, assim como também em seu término. 
Só que esta Terra é diferente em cada momento. No exemplo da primavera, ela é uma mistura do "final" do Inverno e, ao término da primavera, ela é uma mistura entre o final da primavera e o início do Verão.
Interessante esta maneira de fazer uma transição entre uma estação e outra para que as variantes climáticas não sejam muito abruptas.
Portanto, no início da primavera ainda temos um sincretismo de inverno e primavera. É importante notar que nenhuma estação é plena de si. Todas possuem um pouco de cada estação, mas sempre há um elemento que mais predomina. Assim, na primavera existe o inverno (frio), existe o verão (calor), existe o outono (sequidão) e existe a Terra (umidade). Só que o que mais predomina é o próprio elemento da estação: neste caso o vento.
Assim somos  nós também: não temos um elemento só que nos compõe, mas uma mistura com predominância de algum ou alguns.
O vento é símbolo da primavera. Depois de descansar no outono e no inverno, as plantas se abrem em flores; os pássaros são mais ágeis; há muitos filhotinhos que nascem na primavera pois há sabedoria de que existirá alimento farto e não haverá muito frio que possa machucá-los na tenra idade.
A primavera anuncia muitas coisas. Portanto ela é uma anunciante. Ela acorda a natureza do sono do inverno e outono; acorda também os pássaros, as formigas, as abelhas, os lagartos, sapos, a água das cachoeiras; enfim, o movimento mexe com todos os habitantes. O lago remexe suas águas para que o alimento possa sair de baixo e vir para cima; as árvores balançam para que seus pólens e sementes  voem e germinem em outros lugares; a água tem um movimento maior por ficar mais quente.
Primavera tem um aspecto Yang, de expansão e luminosidade. O equinócio de primavera ocorrerá dia 23 de Setembro de 2011 no hemisfério Sul.
Para a Acupuntura as doenças relativas à primavera são as doenças que andam no corpo. Normalmente os pacientes relatam isto, ou seja, que sentem a dor “andando” num determinado trajeto. Em geral os trajetos são aqueles ligados aos meridianos do Fígado (F) e da Vesícula Biliar (VB). O F e VB tratam do sangue e da digestão. O Fígado é um órgão Yin e a VB é Yang. O Fígado produz bile e armazena na VB que a elimina quando necessária dentro do duodeno. Estados de raiva contida ou exposta podem levar a alterações importantes nestes meridianos. A bilirrubina quando aumentada não é excretada totalmente. As fezes ficam amareladas e a cor de pele da pessoa fica um pouco amarelo/esverdeada. Por isso costumamos dizer  que uma pessoa “ficou verde de raiva” ou é uma pessoa “biliosa”. Portanto raiva, primavera, excesso de movimento, fígado, VB etc representam a essência “madeira” para a Acupuntura.
A essência madeira pode ser uma predominância durante a primavera. A madeira domina a Terra e é dominada pelo Metal. Assim, a primavera domina a estação Terra e é dominada pela estação do Outono.
A melhor essência para o movimento descoordenado do F ou VB é o sabor amargo. Pessoas que são muito raivosas ou que tomam muitos remédios ou ainda que comem muita gordura animal, precisam ver se seu meridiano do Fígado e VB estão com excesso ou falta energética.
Os pontos de Acupuntura para a Primavera incluem os de tonificação, sedação e o ponto fonte (regulatório) do Fígado e Vesícula Biliar. Há um ponto muito interessante que se chama VB 20 que fica bilateralmente à coluna cervical na região da nuca. Este ponto é muito usado em enxaquecas chamadas de “enxaquecas  biliares” e nas TPM em mulheres nervosas e raivosas. 

Portanto podemos dizer que a Primavera vem com muita força e traz elementos fortes...tanto para os sons da natureza como o cair das águas na cachoeira, como no canto dos pássaros e também no barulho das árvores e bambus que se entortam com os ventos. Os uivos de vento nas frestas das janelas também ocorrem na Primavera e seria importante captar estes sons. A noite é mais alegre na primavera. As árvores cantam durante a noite que é quando elas crescem. As árvores gostam de crescer na hora em que as pessoas não vêem. Por isso é bom captar o som delas crescendo e sorrindo a noite. Isto pode ser feito dentro da mata fechada.

Se você tem um projeto que elaborou e planejou durante o inverno e outono, a primavera é o melhor momento para colocar em prática.


Abraços fraternos
Maurici


sábado, 12 de fevereiro de 2011

Acupuntura ajuda no estresse?







Sim, sem dúvida.
O estresse é um nome genérico que pode significar várias coisas. Pode ser causa ou efeito. 
A Acupuntura não tem um tratamento para o estresse especificamente. Podemos inferir alguma coisa ao verificar os "pulsos reveladores". O que é isto?
É uma maneira de diagnóstico. Por meio da sensação percebida nos batimentos da artéria radial, na região do punho, o Acupunturista pode ter uma idéia de como a orquestra sinfônica do corpo está tocando.
São 12 funções em cada mão; portanto 24 ao todo. Junto com outras medidas propedêuticas, o profissional tem em mãos, literalmente, qual ou quais "instrumentos" da orquestra está desafinado.
Em geral, bem dito, em g-e-r-a-l, pessoas que referenciam estar passando por estresse, possuem seu orgão alvo mais afetado, além do meridiano que inclui a função da bexiga e rim.

Aqui apresentamos algumas dicas para reconhecer / enfrentar o estresse:

1. Procure rever suas atitudes e comportamentos. Veja se você anda se peocupando excessivamente por questões que não mereceriam tanta atenção;
2. Se você anda irritadiço, sem paciência e se tornou um trabalhador compulsivo;
3. Sua experiência sexual não está satisfatória;
4. Faz tempo que não tira férias adequadas;
5. Alimenta-se mal, dorme mal e respira mal;
6. Sente tensão na região da boca, range os dentes; tensão na região do ombro e costas; pernas inquietas;
7. Sente o coração "disparar" de vez em quando;
8. Nota que suas mãos e pés estão suados de vez em quando;
9. Tem procurado ficar mais isolado e sua vida social tem sido evitada;
10. Bebe pouca água ou apenas quando está com sede;
11. Não tem feito exercícios como andar, pedalar, academia, natação etc
12. Sente sono durante a tarde;
13. Tem aqueles famosos episódios de esquecimento;
14. Sente que seu corpo está "fraco"; fadigado e acha que vai desabar...

Bom, paremos por aí. Já tem bastante coisa errada, não é?

Bom, o que podemos fazer para melhorar?

1. Primeiro reconhecer que está assim!
2. Transformar o ciclo vicioso em ciclo virtuoso; quebrar o ciclo vicioso.
3. Fazer algumas sessões de massagem;
4. Tomar 2 ou 3 litros de água por dia;
5. Evitar comer muita carne vermelha; preferir carnes brancas;
6. Evitar fumar e comer muito açúcar branco;
7. Fazer sucos matinais com frutas frescas; evitar muita massa especialmente à noite; (procure um profissional da nutrição)
8. Arrumar um jeito de fazer caminhada (procure um profissional para avaliação)
9. Tente imaginar as situações como "ocasiões" e não como problemas; converse com amigos e parentes sobre o que passa com você;
10. Que tal uma hidroterapia? Uma viagem gostosa para relaxar em um balneário?
11. Evite desgaste desnecessário. Inicie uma mudança em sua vida. Abra seus armários antigos e veja o que há de "quinquilharias" e coisas sem necessidade. Esvazie-se. Procure desvencilhar-se de tantas obrigações que nós mesmos nos impomos. Simplifique!
12. Dê uma olhada na energia que você consome diariamente resolvendo situações do automóvel, dos seguros, dos celulares e inferninhos da informática; de suas 5 televisões espalhadas pela casa; dos seus 3 automóveis na garagem; de suas necessidades compulsivas de vestuário;
13. Faça uma terapia (procure um profissional da área); aprenda uma dança, uma yoga, uma atividade de respiração, um Tai Chi...
14. Inove: abraçe uma árvore - cante uma música diferente, ouça Bach; encontre alegria em si - você está cheio dela. É só se abrir que ela aparece rapidinho.
15. faça umas sessões de Acupuntura;
16. Pare de nhenhennhem...pare de reclamar um pouco...de resmungar. Aja! Não se preocupe: se ocupe!
17. Ansiedade e pressa não é igual a velocidade. São coisas distintas;
18. Leia um livro legal. Assista um vídeo legal. Evite ficar enfrente aos noticiários televisivos;
19. Faça uma lista de coisas gostosas: ir ao teatro, fazer uma viagem curta no final de semana; pisar na terra; plantar uma árvore; ajudar uma instituição com sua solidariedade;
20. Descomprima seu ombro. Não tente carregar o mundo e achar que tudo na sua família é de sua responsabilidade; deixe que eles se virem um pouco; fuja do estereótipo ou arquétipo da "coitada", "sofredora" e que deve pagar pelos pecados do mundo;
21. Reveja seus pontos espírituais. Troque pecado, culpa e um monte de outros pinduricalhos antigos e obsoletos por uma meditação tranquila; agradeça; tenha gratidão pela vida que é tão rara!
22. Não pense que dinheiro é tudo na vida! Há também redes de descanso; praias; momentos de solitude e aquietação em casa; fazer um artesanato; encontrar os amigos e tomar uma cervejinha...contar piadas, usar a imaginação...ser um pouco aquela criança que há dentro de sí. Pinte os sete de vez em quando;
23. Alongue-se; toque um instrumento; faça um Hai Kai, uma poesia...um rabisco...um desenho...

Ufa. Chega né?

Mais dicas no próximo capítulo!
Boa sorte.
Maurici

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Doenças do vento. Previna-se

As doenças do vento podem ser associadas aos meridianos do Fígado e Vesícula Biliar.

Dicas:

Se você é um tanto "raivoso", fica bravo com facilidade e não tem muita paciência com os outros...quer fazer as coisas da sua maneira,  fica com a cor da face amarela (quando está bravo), tem a esclerótica (parte branca do olho) meio amarelada, tem dor de cabeça (cefaléia) ou enxaqueca, então:

1. Transfome sua braveza em algo útil a você e ao seu grupo, comunidade ou planeta;
2. Evite gorduras e frituras;
3. Procure fazer um chazinho de boldo do chile de vez em quando;
4. Descarregue a raiva pisando no chão, cortando madeira, fazendo uma luta marcial, dançando sapateado, correndo, nadando ou qualquer atividade aeróbica que estimule a contração muscular intensa;
5. Faça acupuntura;
6. Procure estar sempre deitado a partir das 11 da noite;
7. Procure desintoxicar o sangue e com isso diminuir o trabalho do fígado;
8. Use ponto VB 40 e F3 para massagem. São os pontos "fonte" da Vesícula e do Fígado. Estes pontos ajudam a regularizar as funções a que pertencem. Veja abaixo a localização de cada um. Massagem neles!
9. Não se desgaste muito no outono (tome muita água)
10. Aproveite a primavera. Faça muitos movimentos.
11. Evite ficar com o ventilador em cima de você. Evite ar-condicionado.
12. Retire de você o título de "bilioso". Não use a bile contra você. Ela pode se tornar "pedra" na vesícula.

Como acessar o Ponto VB 40:

Veja acima localização do ponto VB 40. Pegue o meio entre o dedinho do pé e o quarto dedo. Siga em direção ao maléolo lateral (osso externo e proeminente da fíbula, no calcanhar). Antes de chegar no osso, note que há uma depressão. Este é o ponto. VB40 é conhecido como Tsiou-siu em Chinês que quer dizer "colina da fé".



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Localização de F3


Este é mais fácil. Saia do ponto ungueal (quer dizer, do canto inferior e interno entre a unha e a pele...siga no meio do dedão e do segundo dedo até o final das falanges e começo dos metacarpos. Há uma barreira óssea ao deslocamento do dedo e uma depressão. Aí está o ponto: sobre a artéria pediosa. É o mais certeiro antídoto contra a "raivinha" desnecessária. Quanto à raiva necessária e justa, deixe-a agir livremente. Faz bem.
F3 é conhecido como Trae-tchrong em Chinês e significa "assalto supremo". No assalto supremo o vento seca o excesso de água do Baço e domina de maneira justa o elemento Terra. Em outras palavras: a sua árvore (madeira é fígado!) tem muita madeira e não está conseguindo dominar a Terra (terra é baço!), que por sua vez fica com muita água e vira "lama!". A Lama torna o pensamento "confuso" e irritadiço.


Até a próxima.
Maurici






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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

DICAS RÁPIDAS

DICA DA SEMANA!

Já perceberam que tem semanas, ou melhor, dias que a gente chega em casa e sente uma fraqueza...um desânimo? 
Bom, independentemente de qual seja a causa ou determinante, temos aqui três boas dicas para cansaço nas pernas e para a sensação de "esgotamento":

DICA 1

Tome um banho morno.
Depois, com o "chuveirinho", jogue água fria do joelho para baixo.
Enxugue-se e vá para sua cama.
Coloque os pés para cima de maneira que o calcanhar fique mais elevado que o coração.
Respire profundamente e relaxe.
Em geral as pessoas ficam deitadas com a cabeça para os "pés da cama" e colocam os pés na cabeceira da cama. 
Veja a foto abaixo:
Aproveite este desenho (agradecimento ao portalsaofrancisco.com.br) e coloque um apoio na nuca.

Não se esqueça de ligar a "fonte de água"...colocar um sonzinho especial e deixar uma luz fraquinha, de preferência verde, iluminando "devagar" o quarto.
Para as mulheres: Evite o uso diário de sapatos com saltos altos. Vá diminuindo esta "compulsão" devagar. Os sapatos altos cooperam para a beleza subjetiva mas trazem dores e alterações funcionais graves.

DICA 2


(imagem - Referência: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhyBo7ne4IKGA2dZuaj4Ydv0G4daWqyiWir7XOdU5wAKPbHOZ23yKxoBYlggulLm6kyDehfASjWDizdAGiQUYlNe7hI8AARQeJnTvLzt9m7mV05XtkJ9jQrTzck9_JaUzYCsDe0AV1Yf-s/s1600/escalda_p%25C3%25A9_vilamulher.terra.com.br.jpg)

Compre numa farmácia de sua confiança um pacote de gengibre ralado ou moído.
Chegue em casa e ao anoitecer, antes de ir dormir, faça um escalda-pé.
Coloque um punhado de gengibre numa panela e deixe ferver. Desligue o fogo assim que começar a fervura.
Despeje este "chá" num balde de maneira que a água fique morna.
Coloque os dois pés dentro do balde de maneira que a água possa cobrir, pelo menos, até o meio da panturrilha ou meio da canela (meio do osso da tíbia)
Fique com os pés imersos por uns 10 minutos e depois...cama! Você vai notar a qualidade de sono!

DICA 3

Massagem no Ponto do Estômago E36.
Massageie o ponto E36 (Estômago número 36) com a ponta do polegar.
Para achar o ponto:
Coloque o centro da palma da mão esquerda sobre o centro da patela esquerda (Patela é a antiga rótula - osso meio redondo que fica no joelho)
O seu dedo médio deve ficar exatamente sobre a crista do osso da Tíbia. Onde cair o dedo anular esquerdo será o ponto E36. Fácil né?
Localizado o ponto, use o polegar da mão esquerda para massagear por uns 5 minutos...com firmeza e não tensão ou força demasiada.

Faça o mesmo para a perna direita...seguindo as mesmas orientações só que com a mão trocada!, ou seja, localize o ponto E36 da perna direita usando a mão direita.

Veja abaixo localização do ponto E36:
Localização do Ponto E 36. Perna Direita.
(agradecimento imagem: kyokushinkaikan.com.br)


Depois destas dicas você vai notar uma sensação de alívio, bem estar e se sentir muito mais animado e seu sono será reconfortante...Utilize a ferramenta abaixo "comentários" para compartilhar com todos e todas deste blog o que você sentiu depois destas atividades. Ajudou? Melhorou?

Obs: Sensação de cansaço e fadiga constantes merecem uma avaliação mais aprofundada para conhecer os determinantes.

Qualquer dúvida escreva para este Blog!

Até a semana que vem

Maurici

domingo, 5 de dezembro de 2010

Acupuntura: Considerações e reflexões sobre a Tradição e a Terapêutica. PARTE IV

                   
 Escrevendo sobre ACUPUNTURA:
Existem Acupunturas cardíaca, pulmonar, dermatológica, urológica?
Como reconhecer um bom profissional antes de fazer uma sessão?



                      A Acupuntura deve ser exercida com muita prudência e seguindo a tradição, sob pena de ser banalizada ou reduzida, usando apenas a técnica de aplicação de agulhas, em receitas prévias, para determinadas queixas. Um profissional bem habilitado poderá interagir com diversos outros de forma multi, trans e interdisciplinar, embora a Acupuntura não possua especializações, como estamos acostumados na clínica ocidental hegemônica. 

                   Não temos Acupunturistas especialistas no meridiano do Pulmão (Acupuntura em Pneumologia), ou do Coração (Acupuntura Cardiológica), o que seria um verdadeiro contra-senso na medida em que ela é construída dentro de um fundamento integralista como vimos no início, ou seja, a Acupuntura é um “recurso” baseado em funções sistêmicas integrativas, complexas, abertas e interativas. 

                    Entretanto, de uma forma sincrética, somatotópica ou ainda fazendo uma analogia com as especializações da clínica moderna, ela é uma aliada terapêutica nas doenças crônicas degenerativas ou nas Síndromes inespecíficas como SGA(Estresse), Fibromilagia, doenças auto-imunes e  portanto se aproxima muito da reumatologia e geriatria; nas cefaléias tensionais ou paralisias onde abre espaços para, através das pistas deixadas pelo trajeto do meridiano acometido, inferir determinantes do aparelho digestivo, da oclusão dentária, da ATM ou do pulmão, portanto se aproxima muito da neurologia, pneumologia, odontologia, fisioterapia, terapia ocupacional, nutrição, enfermagem. 

                Nos acometimentos ósteo-articulares, nas lesões por esforços repetitivos, DORT, desvios da coluna vertebral podem ser particularmente valiosas, aproximando-se da ortopedia, fisiatria, educação física. Certamente existiriam muitos outros exemplos como sua utilização como anestésico em pré- operatórios, tratamento analgésico em idosos que apresentam intolerância a determinados medicamentos, nos distúrbios uro-ginecológicos, dermatologia, estética e até em plantas e na veterinária. 

                   Vimos que os desequilíbrios energéticos surgem pela insuficiência ou excesso de Yin/Yang nos meridianos que se distribuem por nosso organismo. Perante um quadro de dor na articulação coxo-femural, por exemplo, embora o atento Acupunturista certifique-se do agravo “específico”, coxartrose, uma leitura tradicional mostraria que o agravo não é reconhecido pelo nome derivado da CID-10, (Classificação Internacional das Doenças - 10ª Edição) mas como um “Síndrome do ataque ao Chao Yang” o que inclui o grande meridiano da Vesícula Biliar e do Triplo Aquecedor. 

                   Uma enxaqueca que se agrava com o vento, pode ser reconhecida como “Yang do Jue Yin dos pés que subiu”. É uma questão de leitura, de semântica sem dúvida. Contudo envolve um “saber” que certamente transcende o intelectivo, a cognição, a racionalidade e insere um elemento que envolve intuição, conhecimento, interpretação, significado, indução, dedução e principalmente um senso de percepção muito parecido com o conceito de “sistemas abertos e complexos”, descritos por Francisco Varela, Humberto Maturana e Ricardo Uribe. 

                  O poder da síntese às vezes faz com que as relações pareçam desconexas e desprovidas de sentido, fora de qualquer possibilidade de racionalidade perante a clínica tradicional. É preciso “muita” paciência e determinação por parte do profissional Acupunturista, do colega que indicou a interconsulta e do paciente. É preciso toda uma precaução e habilidade para transmitir as informações. Pelo fato de querermos uma explicação para nosso sofrimento e dor, precisamos “entender logo” a situação que nos acomete, mesmo que haja sucesso no tratamento. É compreensível. Imagine a situação de um paciente, dentro dos aspectos de nossa cultura imediatista e da modernidade, receber a informação que seu “Yang do Jue Yin do pé subiu”.!?! 

                São apenas exemplos, vamos combinar, “fictícios”, para podermos fazer uma analogia entre as concepções clínicas e talvez concluir que o Acupunturista, neste exemplo e em outros, não tratou de “enxaqueca”, mas de um desequilíbrio no Chi do meridiano do Fígado e do Triplo-Reaquecedor (com prováveis  desdobramentos nos meridianos da Vesícula Biliar e Circulação Sexualidade).

Voltamos semana que vem.
Até lá!
Maurici Tadeu Ferreira

domingo, 21 de novembro de 2010

ACUPUNTURA: Considerações e reflexões sobre a Tradição e a Terapêutica.

PARTE III


Foto: MauriciTFSantos, Caxambu,2010

Continuando nosso artigo anterior, trazemos aqui algumas considerações:
Como alimentamos as idéias, como as digerimos e a que e como dedicamos nossa inspiração 
Boa leitura!
                Perceba então que, a partir de uma concepção “simples” de um sistema binário, podemos entender nossa existência, que se move por meio e com a essência do sopro original de forma interdependente e indispensável, criando, construindo e desconstruindo constantemente o visível e o invisível. A interrupção e privação de qualquer uma das três fontes primordiais é incompatível com a vida tal qual a conhecemos.

                 Chi possui uma quantidade, por certo, mas estamos aqui dialogando sobre seu potencial qualitativo. E do que depende sua qualidade? Do ar que respiramos, dos alimentos que ingerimos e de nossa energia ancestral que recebemos de nossos antepassados (também chamada de Céu Anterior). Nossa qualidade de vida dependerá, portanto de como respiramos e nos alimentamos (isso inclui como alimentamos as idéias, como as digerimos e a que e como dedicamos nossa inspiração). 

                 A maneira com que lidamos com a energia ancestral, ou seja, como a usamos em função de nossas escolhas e livre arbítrio, definirá nossa qualidade de vida. No corpo saudável as energias convivem em estabilidade, ainda que às vezes temporariamente longe do estado de equilíbrio, proporcionando um estado que nós ocidentais chamamos de homeostase ou equilíbrio fisiológico. Contudo muitos fatores podem alterar uma ou mais destas funções. Podemos citar, por exemplo, a forma com que percebemos e construímos nossa realidade objetiva e subjetiva; a forma com que agimos; os estressores ambientais a que nos expomos; a qualidade de atenção que damos a cada manifestação e ao significado que damos à nossa corporeidade. 

                Dependendo da força, persistência e qualidade da perturbação, haverá desconforto, descontinuidade, interrupção e perturbação dos canais (meridianos) supridos por Chi. Na ânsia de retornar a situação de equilíbrio, os meridianos (nós) tentam se ajustar, cedendo ou retirando energia entre eles para manter as funções orgânicas vitais, considerando as prioridades, ciclo de produção, de dominância e hierarquias. 

                De uma maneira geral podemos dizer que as doenças surgem na medida em que há desequilíbrio (insuficiência ou excesso) na relação Yin e Yang dessas trocas em nós, ou em nossos meridianos. Por serem agressões muitas vezes discretas, escondem as desordens tornando-se assintomáticas, mas secretamente vão “construindo” a doença. Por vezes, no entanto, por estarmos com as defesas enfraquecidas, as energias agressivas podem acometer o indivíduo de um só golpe, causando sinais ou sintomas imediatos. Muitos devem ter exemplos de passagens deste tipo em suas vidas, não é mesmo?    

                Qual seria então o papel da Acupuntura? Restabelecer o equilíbrio, agindo como co-auxiliar, facilitadora ou ainda “verdadeira” enzima que cataliza as reações curativas via estabilização do balanço energético nos ciclos dos meridianos. De que maneira? Com estímulos em pontos específicos do corpo, facilitando o “diálogo” entre os diversos vasos energéticos, permitindo que Chi se expresse em toda sua amplitude. Com isto a vitalidade é redistribuída de forma compatível com o que escolhemos no “andar de nossa vida”, o que exemplifica bastante os diferentes desfechos de cada caso.

Até a Próxima... 


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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

ACUPUNTURA: Considerações e reflexões sobre a Tradição e a Terapêutica. PARTE II

Continuando nosso artigo anterior, trazemos aqui algumas considerações a respeito do Yin e do Yang. Boa leitura!



O símbolo circular mostra duas marcas em forma de gotas, uma preta e outra branca, que se interpenetram, se complementam e se contemplam, uma invadindo a outra, inspirando movimento de expansão, quando girado no sentido horário e de contração quando girado no anti-horário. A imagem preta significa o Yin e a branca o Yang. Em cada uma delas há um ponto com a cor oposta significando que o Yin contém a semente do Yang e o Yang contem a semente do Yin. Um elemento não existe sem o outro e não existe nada, como fundamento da tradição, que possa ser exclusivamente Yin ou Yang.  Só esta figura, sem dúvida emblemática e repleta de significados, é um rico e extenso tema para a Semiologia e a Sinologia. De certo começaríamos afirmando que ela é um dos mais formidáveis e raros símbolos da engenhosidade humana, que expressa o todo e a parte vivendo em harmonia, em contraste e em constante mutação: contraria sunt complementae (os contrários se complementam). Este ícone deveria ser visto como uma bola tridimensional, mas bidimensionalmente ainda indica a concepção de sua criação, ou seja, a de uma constante integração entre uma força e sua contraparte, expandindo ou contraindo, cada qual levando em si a semente da outra.
É um símbolo que representa muito bem o conceito de integralidade e com isso dá pistas de como seus idealizadores percebiam o mundo em que viviam e a si próprios. Tudo está interconectado e é interdependente. Temos então uma primeira percepção do que é a Acupuntura apenas por entender um pouco suas origens e os significados de um código.

Nossa primeira dificuldade a expor, contudo, é que a tradição Chinesa não propõe verdadeiramente um saber, no sentido contemporâneo do termo. E é justamente aí que começam algumas dúvidas que parecem intransponíveis. Por isso a necessidade fundamental de debruçarmos um “olhar” diferenciado para “entender” as bases da Acupuntura. No vasto sistema que ela expõe, sobretudo no modo analógico de interpretação, os fundamentos não se baseiam em objetos ou quantidade em si, mas essencialmente em certas qualidades específicas da experiência humana que transcendem o saber e por este motivo provoca-nos uma discussão de como aprendemos a saber. Nisto reside boa parte da sabedoria. Assim, todo ser humano é um ente que une as essências do Céu e as da Terra e torna possível tudo o que daí brota e ao mesmo tempo constrói em seu centro (localizado no abdomem), chamado de “campo cultivável”, o essencial para ser um elo integrador, nutrido e nutridor, entre o que está acima e o que está embaixo de si.
Sem que haja, isoladamente, um “lá em cima” e outro “lá em baixo”, existe um “meio” onde as energias celestes e terrestres se encontram e formam uma grande família. Não é por coincidência que o país ou região de onde estas idéias floresceram não se chama exatamente China, mas País ou Povo do Meio. O Prof. Eyssalet em sua obra “Shen ou o instante criador” traduz uma passagem interessante: “...a unidade é a gênese da transformação das formas. O aspecto claro e leve em ascensão forma o Céu; o obscuro descendente forma a Terra; o sopro harmonizado do surgimento central constitui o ser humano...”.
Do encontro desses quantuns energéticos, do que está no alto (Céu), de magnitude Yang, com o que está embaixo (Terra), de magnitude Yin, junto com o nosso quantum {uma mistura da energia ancestral do pai(Yang) com a mãe(Yin)} surge uma das derivações mais importantes para a compreensão e uso da Acupuntura: a idéia da energia vital ou Chi (também conhecida como Qi ou Ki).

Uma vez formada pela união destas três fontes primordiais, Chi é distribuída para todo o organismo. Das três fontes, duas são renováveis: a do Céu, que traz a informação no ar que respiramos; a da Terra, que traz o alimento que ingerimos, e uma não renovável, que é a nossa energia ancestral, situada na região entre os Rins. A união das três energias, com-formam o Chi que vai carregar nutrientes e energia, ambos investidos de informação material e imaterial e nutrir tudo o que entendemos como corpo. Ela vai navegar, explorar, passear, surfar e distribuir-se assim como (aqui entra um sincretismo) o sistema arterial, venoso, linfático ou nervoso, por canais ou trajetos chamados de “meridianos”. Para ser mais exato ou didático, há uma divisão deste Chi em energias Yong e Sangue (nutridoras) e Wei (defensiva), que não exploraremos neste momento. O pensamento Chinês não separa mente de alma ou espírito. Existe uma manifestação das essências, como vimos, em constante fluxo e refluxo. A energia que circula pelos vasos, rios, mares, vales de nosso organismo sustentam, são sustentadas e se auto engendram reciprocamente e em retroalimentação, analogamente ao que conhecemos como autopoiese. Inauguram e mantém as entidades viscerais que “regem” cada segmento interdependente e são representadas no Shen do Coração, I do Baço e Pâncreas, Pro do Pulmão, Zhi do Rim e Roun do Fígado. A grande família se faz interconectando-se com uma rede mais superficial ou mais profunda, com ligações de passagem, colaterais entre outras, dentro de uma cadeia (teia) de meridianos, dos quais podemos citar 12 bilaterais e 2 únicos. Os 12 meridianos principais são apresentados a seguir, cada um (Yin) com aquele que atua de forma acoplada (Yang): Coração e Intestino Delgado; Baço-Pâncreas e Estômago; Pulmão e Intestino Grosso; Rim e Bexiga; Fígado e Vesícula Biliar; Circulação-Sexualidade e Triplo-Reaquecedor e finalmente um ventral e um dorsal: Vaso Concepção e Vaso Governador.      


Na próxima semana daremos continuidade nesta maravilhosa viagem pelos meridianos chineses.

Até lá então.


Maurici TF Santos 

domingo, 7 de novembro de 2010

ACUPUNTURA: Considerações e reflexões sobre a Tradição e a Terapêutica. PARTE I


Primeira Parte 

Durante algumas semanas vamos falar da história da Acupuntura. Neste primeiro texto, traremos alguns conceitos dos seus primórdios. 




Não é fácil expor, em poucas palavras, a intenção profunda de uma obra como a Acupuntura. É plausível dizer que quase tudo o que se sabe sobre ela começa com lendas muito antigas. Fu Xi e Hwang Ti foram representantes das comunidades de tribos da sociedade primitiva Chinesa há cerca de 4.000 anos atrás. Muito do que conhecemos vem deste tempo, ou talvez de épocas mais remotas ainda. Para se ter uma pequena idéia de como o conhecimento se transmitia nos seus primórdios, há escritos do Imperador Amarelo (2700-2100 aec) preservados em cascos de tartaruga.  Após este período novas reflexões foram formuladas e incorporadas à Tradição pelas dinastias Chia, Shang, Tsou, Chin, Han, Sung, Ming entre outras. Consideramos oportuno chamar todo este “capital da elaboração humana” de “Tradição” uma vez que o termo “Filosofia” está mais adequadamente relacionado com a produção intelectual específica da Civilização Helênica. Portanto tratamos neste artigo da Acupuntura segundo a Tradição Chinesa e não de Filosofia Tradicional Chinesa, como vemos amiúde em discursos, conversas e textos na área.  Parece ser excesso de preciosismo, contudo é bom notar que nomear esta forma de pensamento de “Filosofia”, não deixa de confirmar a tendência que nós ocidentais temos em optar pelo sincrético e não pelo sintético, o que é muito compreensível. Não desqualificamos nem um nem outro modo de abordagem, mas de certo é bom definirmos nossos termos para manter a coerência quando nos expressamos, neste artigo, de uma ou de outra forma.    

É preciso certa dose de abstração para entender o que é esta tradicional e ancestral arte Chinesa. 
Se formos sincréticos o texto ficará mais agradável, por usarmos conceitos mais familiares. Estaremos “ocidentalizando” o “oriental”. Contudo esta abordagem perde muito da “essência” da tradição, e acrescenta uma dose de traição, em favor da inteligibilidade. Por outro lado se formos muito sintéticos, pode ser que o leitor ache tudo muito vago, ambíguo e sem sentido. Optamos por um texto temperado e balanceado.

 
Para melhor apreender as bases da Acupuntura é preciso contextualizá-la na visão de mundo de onde ela emerge e floresce. Este exercício certamente significa qualificar as concepções e o imaginário Taoísta, particularmente no que concerne a cosmologia e conseqüente valorização da idéia de “unidade”, tão cara ao conceito de “TAO”. Neste processo “unificante” percebemos (e aqui entra uma síntese) também uma  “dualidade” implícita e as derivações que dela surgem como as essências do universo, as relações culturais, o valor que se dava ao corpo, saúde, sociedade e meio ambiente como um todo e em constante mutação. 
Segundo a tradição, tudo começa quando o Caos primordial se desfaz. Uma grande força possibilita o desabrochar de duas polaridades, as energias Yin e Yang. Destes dois princípios elementares nasceram as “dez mil coisas”. Em uma passagem do Tao Te Ching, de Lao Tzsu, temos uma descrição do que seria o Tao “...algo que é misterioso, informe e existe antes de haver Céu e Terra. Silencioso, quieto e vazio, pleno em si mesmo, imutável, circulando eternamente através dos espaços e tempos, incansável. É a mãe da miríade de coisas do universo...”. Todas estas “coisas” expressam o sopro original das polaridades Yin e Yang: calor-frio, feminino-masculino, dentro-fora, superficial-profundo, alto-baixo, úmido-seco, forte-fraco, luz-escuridão, aberto-fechado, côncavo-convexo etc. Já deve ser de conhecimento de muitos o signo: Yin - Yang. 

Proxima semana continuaremos com a segunda parte deste artigo.
Até lá!

Maurici Tadeu F Santos